Março de 2006- Nº 01    ISSN 1982-7733
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Teatro para burguês ver

Ensaio enviado por Carlos Messias
24 anos, São Paulo-capital

Essa já se anunciava uma cerimônia diferente: filmes com temas polêmicos e sociais, supostamente com conteúdo, formavam o elenco de indicados.
O apresentador, John Stuart, também trouxe uma nova proposta, tornar a cerimônia um pouco menos “cerimoniosa”. As categorias técnicas foram intercaladas por uma ou outra “categoria maior”.

Veio a premiação por ator coadjuvante. George Clooney, o grande indicado da noite, recebeu um prêmio, merecido, por sua participação em Syiriana, sugerindo que seria a grande estrela da noite. Deu um belo discurso sobre a impossibilidade de mensurar a qualidade de uma atuação em detrimento de outra, quando essas atuações ocorrem através de personagens e produções tão diferentes. Pois a apreciação da Arte é algo subjetivo, e não deveria ser tratado como uma competição esportiva. Mas se rendeu, dizendo que estava orgulhoso de entrar para aquele círculo. Ele também concorria como roteirista e diretor, por seu longa-metragem Boa Noite, Boa Sorte.

Rachel Weiz recebeu o prêmio de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em O Jardineiro Fiel, uma das grandes produções do último ano, mal lembrada na premiação.

Voltam as premiações técnicas. King Kong, sempre com a proposta de ser tecnicamente impecável, visto que essa é uma das únicas qualidades da fita, foi papando uma a uma. Memórias de Uma Gueixa também foi sendo lembrado.

As grandes premiações foram chegando. Phillip Seymour Hoffman recebeu o prêmio, merecido, de melhor ator. Por mais que, na minha opinião, dentre os indicados, a atuação de Joaquim Phoenix por Johnny e June havia sido a mais surpreendente e impecável. Mas avaliando-se o conjunto da obra, Hoffman também merecia esta chance.

Já Reese Whitherspoon, realmente se superou ao interpretar June Carter e também mereceu a estatueta por melhor atriz.

Outro grande ator indicado era Matt Dillon, por uma atuação memorável em Crash. Mas, pensei então, nem um ator como este pode salvar uma produção chula. Crash já havia levado melhor montagem e imaginei que fosse ficar por aí.

A festa estava superando minhas expectativas, pois por mais que certos filmes medíocres houvessem sido indicados, a premiação estava sendo condizente aos atributos de cada qual.

A coisa mais estranha, até então, havia sido um grupo de rap levar o prêmio de melhor canção.

Quando O Segredo de Brokeback Mountain recebeu os prêmios de melhor roteiro adaptado e melhor direção, eu achei um pouco forçado, uma vez que tinha concorrentes tão superiores, mas “este ano eles estão premiando pelo conjunto da obra”, pensei; e Ang Lee, bem que merecia tal prêmio por seu trabalho como diretor.

A verdadeira bomba me pegou desprevenido, quando chegou a premiação de roteiro original. Dentre tantos roteiros primorosos como os de Syriana, Boa Noite, Boa Sorte e Ponto Final, de Woody Allen (filme que na minha opinião também deveria ter sido indicado e premiado por atriz, trilha sonora, direção e filme), eis que o nome do vencedor foi anunciado: Crash – No Limite, de Paul Haggis e Robert Moresco.

E então, pela boca do grande Jack Nicholson, veio o nome do “melhor filme do ano”. Novamente, Crash – No Limite: inacreditável! Que juiz, em sã consciência, tendo o mínimo de apreciação pela sétima arte poderia julgar esse filme superior aos outros em seja qual âmbito?

Paul Haggis, queridinho da academia desde Menina de Ouro se mostrou suscetível à politicagem fajuta da Academia de Cinema e da fraude que é o Oscar.

Pois por mais que este tenha sido o ano dos filmes “com conteúdo”, com uma mensagem, com algum apelo social, não podemos esquecer que cinema é Arte e esses assuntos devem ser tratados com sutiliza e fluência, com um mínimo de poesia. Não da maneira atropelada, tosca e presunçosa como foram abordados em Crash, que justamente recebeu o prêmio por roteiro.

Toda essa cerimônia do Oscar é um teatro para burguês ver. Uma forma de justificar o gosto medíocre da população em geral pelo cinema pipoca e assim gerar números ainda mais altos de bilheteria. Como aconteceu com Titanic.
É uma bajulação hipócrita que visa “adestrar” os verdadeiros cineastas, tornando-os suscetíveis a produzir filmes segundo a receita holywoodiana, que costumam ter o efeito de emburrecer a população. Boa Noite, Boa Sorte e Syriana não se encaixaram nesse perfil, mas eles viram potencial em George Clooney. Com o propósito de mantê-lo sob suas asas, deram-lhe um prêmio de consolação, por ator coadjuvante. Assim eles fizeram o seu social, afinal “se lembraram dele”, e quem sabe não fazem com que Clooney tente cada vez mais produzir filmes que sejam premiados em categorias de maior prestígio. De modo que essa receita seja sempre utilizada.

O “segredo” de Brokeback Mountain>>>

E o título Woody Allen vai para... >>>

Ponto Final >>>

O olhar de Capote >>>

O Jardineiro Fiel >>>


 

 

 

CURIOSIDADES SOBRE O OSCAR

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas foi fundada em 11 de janeiro de 1927, quando 36 pessoas se reuniram no Ambassador Hotel, em Los Angeles, para formar a primeira organização do mundo dedicada exclusivamente a filmes.

Diz a lenda que o prêmio foi batizado de Oscar quando uma funcionária da Academia viu a estatueta e disse que ele se parecia muito com um tio dela, chamado Oscar. O apelido foi oficialmente usado a partir de 1939.

Durante a Segunda Guerra Mundial, as estatuetas do Oscar foram feitas em gesso, devido à escassez de metal na época. Após o fim do conflito, os ganhadores puderam trocá-las pela versão mais nobre, em ouro.

Vale observar que o troféu representa um cavaleiro apoiado numa espada. A figura está de pé sobre um rolo de filme, que apresenta cinco degraus – cada um deles simboliza uma das cinco categorias originais da Academia (atores, diretores, produtores, técnicos e escritores).

A primeira transmissão da festa de entrega dos prêmios da Academia pela TV ocorreu em 1953.

O Brasil concorreu ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira 4 vezes: em 1962, com O Pagador de Promessas, em 1996, com O Quatrilho, em 1997, com O Que É Isso, Companheiro?, em 1998, com Central do Brasil, Cidade de Deus, muito premiado, não chegou a concorrer.

Os recordistas de Oscar: Ben-Hur, Titanic, SDA: O Retorno do Rei (11), Amor, Sublime Amor,..., E o Vento Levou (2 especiais) (10), Gigi, O último Imperador e O Paciente Inglês (9).

Walt Disney foi o homem mais premiado na história da festa: recebeu 26 estatuetas.

Titanic foi o único filme a levar os quatro oscar de “som" (trilha, canção, som e edição de som).

Os Beatles foram a primeira banda pop famosa a ganhar o Oscar de canção original. Eles receberam a estatueta em 1971 pela música Let it be do filme Deixe Estar, documentário sobre o quarteto de Liverpool.

A mais jovem atriz a receber o prêmio, no caso honorário, foi a então criança Shirley Temple. Tinha 6 anos.

O comediante Bob Hope foi o mais constante anfitrião de cerimônias Oscar. Ele apresentou a festa nada menos que 18 vezes.

As atrizes mais indicadas são Katharine Hepburn e Meryl Streep: 12 vezes. O diretor William Wyler também concorreu por uma dúzia de filmes.

A Itália é o país que mais recebeu prêmios na categoria de filme estrangeiro: foram dez, contra nove da segunda colocada ( França).

Quem comenta essas curiosidades é Edivânia Silva, 25 anos, jornalista.

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