Exposição Ecológica aborda a crítica da sociedade de consumo a partir da arte contemporânea. Inspirada em conceitos do intelectual austro-francês André Gorz exibe 22 obras nacionais e internacionais na Grande Sala do MAM-SP. De 2 de julho a 29 de agosto.

Superflex -Flooded McDonald's - 2008. Foto: Divulgação
Com curadoria de Felipe Chaimovich a exposição traz 22 obras de artistas nacionais e internacionais que problematizam a abordagem atual da questão ecológica. Há também uma série de eventos paralelos gratuitos que ampliam os conteúdos exibidos na mostra para uma dimensão prática e interativa, inserindo a exposição no contexto do Parque Ibirapuera.
Na concepção de André Gorz, é preciso reconhecer que o esgotamento dos recursos naturais e a poluição crescente são consequências diretas dos modos de produção e da mentalidade capitalistas, que estimulam o consumo desenfreado e, consequentemente, a produção em quantidades cada vez mais astronômicas, gerando materiais não biodegradáveis, desperdício e futilidade.

Complementares, Fernando Limberger - 2010.
Foto: Divulgação
Na concepção de ecossistema recorrente hoje, a natureza é tida como um ambiente harmônico e acolhedor, o que não condiz com a realidade. De que forma a arte interferiu para que se criasse essa visão errônea? Desde o século X, os jardins são construídos como se fossem o Éden, um lugar perfeito e isolado do caos reinante ao seu redor. A partir do século XIX, com a instituição dos jardins como parte da vida pública – partindo da construção do Hyde Park, em Londres, e da posterior criação de diversas áreas verdes em Paris, principal referência da civilização ocidental –, a idéia de que a natureza é como um jardim e assim deve ser conservada institucionaliza-se no imaginário coletivo, principalmente do trabalhador comum, que tem nos parques e praças o seu recreio e nas viagens a paisagens paradisíacas a ilusão de um contato real com a natureza selvagem.

A Casa, Dias Riedweg - 2007. Foto: Divulgação
A exposição explora as incursões da arte contemporânea no intuito de superar esse equívoco por meio de trabalhos que trazem à tona o caráter predatório da sociedade de consumo, de forma a que o público tome consciência de que ecologia não é a manutenção de seu jardim privado, mas de um ecossistema com regras próprias, cuja dinâmica pode ser cruel contra abusos. Um exemplo é o coletivo Superflex, que tem seu vídeo Flooded McDonald’s (2009) projetado na exposição. Nele, uma réplica em tamanho natural de uma loja da rede internacional de fast food é inundada até o teto, na melhor tradição do cinema de catástrofe.
Alguns trabalhos foram criados especialmente para a exposição. Fernando Limberg desafia a gravidade com plantas que brotam de um cubo gigante de fibra de coco suspenso no teto do museu (Complementares), enquanto Rodrigo Bueno mescla plantas e madeira na instalação Entrelaço, que invade a marquise e faz parte do grupo de obras que interagem com o parque, elemento importante dentro da concepção da mostra.
Conhecida por seu trabalho voltado para a questão ambiental, Floriana Breyer é outra artista a incluir o parque em sua obra, a Arca Sideral, uma bicicleta adaptada como um carrinho, que percorrerá trechos do Ibirapuera em horários variados aos sábados. O autodenominado Jardineiro André Feliciano traz ao museu o Jardim fotográfico, feito de plantas artificiais em espiral. Lucia Gomes Zinggeler propõe um protesto contra o lixo enviado de navio pela China ao Brasil com o container Me manda pra China, onde o público pode descartar produtos chineses. O container ficará no Brasil.
PROGRAMAÇÃO PARALELA – ENTRADA FRANCA
Família MAM Piquenique Florescentista – por Jardineiro André Feliciano e educativo MAM-SP
Dia 25 de julho, das 15h às 19h
Será montada uma mesa sobre pedriscos no Jardim de Esculturas; sobre ela serão servidos alimentos como tortas, salgados, quiches, bolos, chocolates, doces, frutas, etc. Para beber, chá e suco. Haverá música durante o piquenique. Durante o evento, o artista vai apresentar o que ele chama de “poesia Florescentista”, na qual se misturam palavras faladas em um microfone e música improvisada na hora. O tom do ambiente é calmo e tranquilo; a música será suave e a comida será servida gratuitamente
Preparação para a viagem Sideral – por Floriana Breyer
Todos os sábados durante a exposição, das 14h às 15h30
Passeio para levantamento das riquezas da biosfera do parque, juntamente com o público, durante os percursos realizados com a Arca Sideral. O aparato, uma bicicleta cargueira adaptada, tem como ponto de saída e chegada o “arcaporto” do MAM-SP, localizado próximo à saída de emergência da Grande Sala (onde a arca ficará exposta durante os outros dias). O percurso pelo Ibirapuera visa a sensibilização do público com relação aos recursos naturais do entorno.
Família MAM Lançamento para o espaço – por Floriana Breyer e educativo MAM-SP
Dia 14 de agosto, às 19h
A atividade marca o “lançamento” da Arca Sideral ao espaço. Um “Cortejo Estelar” sai do museu juntamente com a atividade Lanternas no Parque, realizada em parceria com o Educativo do MAM.
No embalo do batuque de tambores, o público pode acompanhar de bicicleta, patins e skates a trajetória da Arca até o Planetário, onde haverá uma seção especial do itinerário da “nave”, com suas aventuras e descobertas.
Exposição Ecológica (Grande Sala)
Visitação: 2 de julho a 29 de agosto de 2010
Endereço: Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)
tel (11) 5085-1300
Horários: Terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
Ingresso: R$ 5,50
Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é franca para todo o público, durante todo o dia.
Agendamento gratuito de visitas em grupo pelo tel. 5085-1313 e email educativo@mam.org.br
Site: www.mam.org.br
Estacionamento no local (Zona Azul: R$ 3 por 2h)
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