Abril de 2012 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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"Eldorado" reestreia no Espaço Elevador/SP


Indicado ao Prêmio Shell de melhor ator, Eduardo Okamoto reestreia o espetáculo solo "Eldorado", na capital paulista em temporada no Espaço Elevador. Dias 3 e 4 de dezembro, ator ministra a oficina Dramaturgia do Corpo. A peça fica em cartaz até 18 de dezembro.

Eduardo Okamoto. Foto: Fernando Stankuns.

Tendo como estímulo criativo a observação da realidade e a interação com construtores e tocadores de rabeca, instrumento de arco, de três, quatro ou seis cordas, que varia a afinação, o formato e a madeira usada, parecido com o violino, presente em muitas manifestações da cultura popular do Brasil, o ator Eduardo Okamoto traz novamente à São Paulo o seu espetáculo solo ELDORADO. A montagem, com direção de Marcelo Lazzaratto, dramaturgia de Santiago Serrano e que conta a história de um cego de nascença que caminha em busca de um Eldorado acompanhado de uma rabeca, reestreia dia 2 de dezembro, sexta-feira, às 21 horas, no Espaço Elevador.

Em pesquisas de campo nas cidades de Iguape e Cananéia (litoral sul de São Paulo), o ator Eduardo Okamoto visitou rabequeiros, recolhendo causos, músicas, ações, gestos, vozes. Assim, codificou um repertório atoral que serviu de base à criação dramatúrgica. Então Okamoto convidou o premiado dramaturgo argentino Santiago Serrano para fazer a dramaturgia do espetáculo, que partiu destes primeiros materiais para criar um texto inédito. No fim da jornada, o diretor Marcelo Lazzaratto (da Cia. Elevador de Teatro Panorâmico) orquestrou estas criações de ator e autor.

Para Eduardo Okamoto ELDORADO fala destes territórios de viagem. “Ali, onde o viajante é atravessado enquanto atravessa geografias. Ali, onde todo homem é único e igual a todos os demais. Desta maneira, procurou-se exercitar o olhar, encontrando no cotidiano os pequenos acontecimentos poéticos”, conta o ator. ELDORADO já participou de alguns dos mais importantes eventos e festivais do país, entre os quais se destacam o Festival Internacional de Londrina, o Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, a Mostra Cena Contemporânea de Brasília e o Caxias em Cena, entre outros.

Uma das características fundamentais da rabeca é a ausência de padrões na sua construção e execução. A rabeca não é um instrumento fabricado em série. É produzido não por indústrias, mas por artistas-artesãos. Por isto, não há uma rabeca igual à outra. Disto resulta que cada rabeca possui suas características peculiares, uma “voz” própria. Para Okamoto, esta ausência de padrões parece incorporar, como analogia, as origens do povo brasileiro que, como aponta Darcy Ribeiro, é “povo em fazimento”. Esta possível analogia, estimulou Eduardo Okamoto a estudar um pouco mais a rabeca e os rabequeiros.

Oficina
Nos dias 3 e 4 de dezembro, sábado e domingo, das 14 às 18 horas, o ator Eduardo Okamoto ministra a oficina Dramaturgia do Corpo. As inscrições gratuitas (15 vagas) podem ser feitas, até 25 de novembro, pelo e-mailinscriçãociaelevador@gmail.com e devem conter breve currículo e carta de interesse.

ELDORADO

Reestreia dia 2 de dezembro, sexta-feira, às 21 horas, no Espaço Elevador.

Concepção, pesquisa e atuação – Eduardo Okamoto. Dramaturgia – Santiago Serrano.

Duração – 60 minutos.

Espetáculo recomendável para maiores de 14 anos.

Temporada – Quintas, sextas-feiras e sábados às 21 horas e domingos às 19 horas.

Ingressos – R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada).

Até 18 de dezembro.

OFICINA DRAMATURGIA DO CORPO – Dias 3 e 4 de dezembri, sábado e domingo, das 14 às 18 horas. Com Eduardo Okamoto. Inscrições – Breve currículo e carta de interesse, até 25 de novembro, para o e-mailinscriçãociaelevador@gmail.com. 15 vagas. GRÁTIS.

Espaço Elevador

Rua Treze de Maio, 222 – Bela Vista.

Telefone: (11) 3477-7732 .

Capacidade – 50 lugares.

Reservas por telefone de terça a sexta das 13h30 às 17h30. www.elevadorpanoramico.com.br

 

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VOCÊ SABIA?

Um pensamento de Frederico Garcia Lorca

“Nenhum homem verdadeiro acredita nestas miudezas de arte pura, de arte pela arte. Neste momento dramático para o mundo, o artista deve chorar e rir com o seu povo...

A criação poética é um mistério indecifrável, como é um mistério o nascimento do homem... Nem o poeta, nem ninguém guarda a chave do segredo humano... Quero ser bom, como o burro e o filósofo.

Creio firmemente que se há outro mundo, terei a agradável surpresa de encontrar-me nele. Mas a dor do homem e a injustiça constante que dimana do mundo, e o meu próprio corpo e pensamento, impedem que mude a minha residência para junto das estrelas. Sou espanhol integral, e me seria impossível viver fora dos meus limites geográficos; porém, odeio ao que é espanhol simplesmente por ser espanhol.

Sou irmão de todos e detesto aquele que se sacrifica por uma abstrata idéia nacionalista, pelo simples fato de que ama a sua pátria com uma venda nos olhos”

Frase de Frederico Garcia Lorca, poeta e autor de várias peças teatrais. Nunca foi uma pessoa muito ligada a política, mas por ser muito apegado ao seu povo, retratava exatamente como ele era. Por isso foi fuzilado no começo da Guerra Civil Espanhola em 1936.


Comentário: Jussane Cristine Pavan, 24 anos - São Paulo, capital. Formada pelo Teatro Escola Célia Helena.

 
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