Rondinelli Tomazelli
21 anos, 7° período jornalismo - Centro Universitário São Camilo
Cachoeiro de Itapemirim - ES
Veja o que ninguém viu no retorno do “Rei” a Cachoeiro de Itapemirim

Foto: Rondinelli Suave
Sem megalomania lulista ou falsa modéstia cachoeirense, o Estação Impressa fez o que nenhum outro blog fez na história deste país: desde domingo (19) até 21 de abril, acompanhamos, de perto, a chegada, o show e a estada de três dias de Roberto Carlos em Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo, terra natal do cantor.
Não se trata de emitir juízo de valor sobre a obra do artista, mas de registrar jornalisticamente o reencontro do mito com seu povo, após anos de uma relação de amor e desapontamento da cidade tão amante e tão ‘esquecida’ por seu “Rei”.
Roberto fez no domingo, 19 de abril, no Estádio do Sumaré, o show da abertura da turnê de seus 50 anos de carreira, depois de passar 14 anos sem se apresentar em Cachoeiro. O dia do show também foi escolha do líder da Jovem Guarda: data em que completou 68 anos de idade.

Foto: Rondinelli Suave
Não que este humilde autor seja fã inveterado do "Rei", embora tenha conhecido muitos nesta empreitada. Foi uma grande experiência profissional ao lado de repórteres da imprensa nacional.
Como o blog não conseguiu a credencial de imprensa para cobrir o show e participar da coletiva de Roberto Carlos, fomos cobri-lo direto da arquibancada, onde os fãs realmente loucos por Roberto Carlos 1) choravam; 2) cantavam em coro ou aos berros; 3) portavam faixas, blusas personalizadas e câmeras fotográficas.
Começo, pois, um flash-back em ordem cronológica. Sigamos por esta estrada de Santos - com direito a vídeo da entrevista do Rei e tudo que os jornais não publicaram.
A véspera
Quase tudo pronto. Depois de uma reforma repentina no estádio degradado, na véspera do show o local parecia outro. A equipe técnica da TV Globo já se posicionava na montagem dos equipamentos, para transmissão ao vivo no Fantástico.
Ainda no sábado (18), os preparativos incluíam até retoques na pintura da fachada do Sumaré, palco do show. Um pintor, já por volta das 18h, se equilibrava na escada e a chapar tinta amarela no branco desbotado.
Na semana do show, em toda a cidade e no Palácio Bernardino Monteiro, sede da prefeitura de Cachoeiro, faixas a declamar amor ao "Rei". Foi instalado um relógio eletrônico em contagem regressiva para a chegada de Roberto.
Súditos à espera do rei
Domingo, dia do show, marcado para as 20h, fãs chegaram às 4h na fila. E, por volta das 15h, mais gente chegava à Rua do Estrela, em frente ao estádio que sediou o show.
Às 19h20min, as filas para arquibancada e cadeiras numeradas e não-numeradas fluíam rapidamente. Teve quem se revezasse com familiares. Outros levaram frutas e cadeira - e, claro, a poucas horas do show, cambistas também apareceram.
O trânsito complicado de Cachoeiro, por falta de planejamento viário durante décadas, estava muito bem sinalizado e controlado pelos guardas. Aliás, a cidade teve ruas limpas, praças pintadas, a casa onde morou Roberto Carlos foi reformada e até o estádio do Sumaré respirou reboco e tinta fresca.
Foi uma mobilização geral para levantar o astral e fazer uma cirurgia estética no centro da cidade, que ficou bem bonitinha. Levando em conta o resultado e a boa vontade de empresas e prefeitura, Roberto poderia voltar com mais frequência, de preferência de dois em dois anos. Assim a cidade não corre o risco de ficar tão sucateada.
Um milhão de amigos
Emoções à flor da pele minutos antes do show. As primeiras vãs conduzem convidados e, finalmente, o Rei. Carros adentram o portão lateral do estádio.
O maestro Eduardo Lages, que trabalha com Roberto há décadas, abre o show. Ele combina com o público um parabéns ao Rei - à luz de celulares e pulseiras acesos e erguidos.
Doze mil pessoas em silêncio e já no escuro, segundos antes de o Rei subir ao palco.
Quando eu estou aqui...
Por volta das 20h45min de 19 de abril de 2009, Roberto começa o show que há 14 anos sua terra natal esperava. Quer dizer, os fãs dele é que esperavam... Rompeu-se o jejum. O filho de Robertino e Laura Braga faz as pazes com Cachoeiro.
Uma hora depois, o aniversariante seria surpreendido por um "parabéns" orquestrado após cantar "Jovens Tardes de Domingo".
São tantas emoções... Após o "parabéns", Roberto Carlos come o bolo no palco.
O palco montado tinha nada menos que 60 metros de largura por 12 de altura, segundo o produtor executivo do cantor.
Nos dois telões instalados nas laterais do palco, a abertura do show mostra um vídeo com grandes momentos da carreira do também chamada “rei do iê, iê, iê”. .
Fogo e rosa
Ao final do show que durou cerca de duas horas, Roberto Carlos oferta as rosas vermelhas e brancas às fãs mais salientes.
Dez minutos de fogos de artifício - importados da China - encerram a apresentação, enquanto Roberto sai do palco em surdina.
O rei sai da fortaleza
Terça-feira, 21 de abril. Eram cerca de 14h, quando a imprensa e os fãs se preparam para a saída de Roberto Carlos do hotel, rumo ao aeroporto de Cachoeiro.
Este foi um dos mais cômicos momentos vividos na cobertura. Eram 15h23min. Eu e mais dois repórteres, além de Marcos Dias, o colecionador de fotos com celebridades, corríamos para o aeroporto. Embarcamos, todos, num carro só.
Querendo adiantar a viagem ao aeroporto, seguimos uma rota alternativa, mas Roberto deu a volta e foi visitar pontos da cidade, inclusive a casa onde morou.
Resultado: chegamos ao aeroporto cedo demais e perdemos a visita de Roberto à sua casa, que há nove anos virou um minimuseu do Rei aberto à visitação. Desde então, Roberto nunca havia posto os pés lá.
40 horas trancado no hotel
Roberto chegou à Cachoeiro em um jatinho, cerca de quatro horas antes do show. Rico e famoso, foi escoltado, inclusive pela polícia local. Da janela de casa, este autor flagrou o comboio. O cantor saiu do aeroporto rumo ao hotel onde hospedouse com amigos e produção, recebeu amigos, fez festa e dormiu muuuuuuito.
Tinha repórter na recepção já virado de pernas para cima, tamanha a indignação com "Roberto, O Trancafiado". A pauta foi exatamente o mistério do rei entre quatro paredes. Fiquei um dia e uma noite de plantão na recepção. O rei dançou música eletrônica, recebeu amigos e comeu moqueca de robalo.
Roberto Carlos deu rápida entrevista no aeroporto de Cachoeiro. Foi no dia 21, às 17h26min, quando embarcou em um bimotor a jato rumo ao Rio de Janeiro.
Gritante despedida
Roberto se despede e voa.
Diz: volto logo.
Cachoeiro volta à rotina.
Repórteres correm às redações.
O palco é desmontado.
Acaba o show.
Reencontro.
Despedida.
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