Elisabete S. Braga
Professora e pesquisadora do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo

Símbolo do Proantar
O Brasil participou da primeira pesquisa científica realizada pelo Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) no verão 1982-1983 com o Navio Oceanográfico do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo - N/Oc. Prof. Wladimir Besnard - que teve a bordo uma tripulação de pesquisadores do Instituto Oceanográfico. O navio da Marinha do Brasil - Almirante Câmara - acompanhou o N/Oc. Prof. Wladimir Besnard realizando o apoio logístico necessário.
As pesquisas realizadas nesta expedição permitiram ao Brasil passar, em 1984, de membro signatário a membro consultivo no Tratado da Antártida junto a mais 27 países que compõem o quadro de 45 membros totais. A partir daí, o Brasil foi aceito como membro do Comitê Científico sobre Pesquisa Antártica (SCAR – sigla em inglês) órgão internacional que coordena a pesquisa na Antártida.
Por que pesquisar a região Antártica?

Foto: Elisabete S. Braga
Muitos são os motivos, as pesquisas em sua maioria visam compreender o papel do continente gelado no equilíbrio global tendo destaques seu papel no controle do clima, os efeitos sobre o continente como a expansão do buraco na camada de ozônio, a intensificação do efeito estufa, o papel da região como sumidouro de gás carbono, o descongelamento e o aumento do nível do mar, a variabilidade climática entre outros.
PROANTAR
O PROANTAR - Programa Antártico Brasileiro – nasceu desta necessidade e tem como atribuição planejar e executar as atividades logísticas e científicas relacionadas ao continente antártico mantendo o foco nas questões ambientais.
O PROANTAR é gerido pelo governo através de uma parceria entre ministérios: Ministério das Relações Exteriores, da Defesa (Marinha e aeronáutica), da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e de uma agência de Fomento, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
As pesquisas propostas pelas Universidades e Centros de Pesquisa são financiadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. A aprovação dos projetos leva em consideração vários pontos além do mérito da pesquisa como, por exemplo, a não produção de danos ao meio ambiente.
O Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) ocupa-se de combinar a pesquisa brasileira às diretrizes do Comitê Científico sobre Pesquisas Antárticas (SCAR), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) garante o cumprimento das regras internacionais para pesquisas na região antártica e o ministério das Relações Exteriores acompanha a atuação do Brasil no âmbito do Tratado Antártico. O Ministério da Defesa atua no PROANTAR por meio da Marinha e da Aeronáutica. A Marinha do Brasil abriga a Secretaria Interministerial para Recursos do Mar (SECIRM) que gerencia o Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), planeja as Operações Antárticas e financia o segmento logístico das Operações do PROANTAR, mantém a Estação Comandante Ferraz e seus Refúgios. A Aeronáutica realiza o transporte de pessoas e faz os voos de apoio e manutenção do Programa. O Ministério de Minas e Energia, por meio da Petrobrás, cede ao Programa combustível especial desenvolvido para regiões gelada.
O Brasil realiza pesquisas na região desde o verão antártico de 1982/1983, junto a 1ª Operação Antártica do Programa PROANTAR, com marcante participação do navio Prof. W. Besnard do Instituto Oceanográfico da USP que, embora não tenha sido construído para a navegação polar, apresentava estrutura robusta e adequada à pesquisa, e foi construído na Noruega. Até 1988, pesquisadores e embarcação da USP afirmaram a participação do Brasil nas pesquisas antárticas, contribuindo para o conhecimento, monitoramento e elaboração de recomendações para preservação do continente.
Até a VI OPERANTAR o N/Oc. Prof. W. Besnard marcou presença na região Antártica, navegando pela última vez no ano 1988, acompanhado nos primeiros anos pelo N/ApOc Almirante Câmara, em seguida pelo N/ApOc. Barão de Teffé.

Base Antártica Brasileira Comandante Ferraz. Foto: Elisabete S. Braga
A equipe do Instituto Oceanográfico da USP (IOUSP) presenciou o início da construção da Base Antártica Comandante Ferraz que, por sua vez, contou com sugestões dos próprios pesquisadores do IO para construção dos laboratórios.
Hoje, o Programa cresceu e envolve muitas outras Universidades e Centros de Pesquisa, modificando a forma de logística para as pesquisas nacionais, sempre com base no Tratado da Antártida e seguindo a prerrogativa do papel fundamental da preservação do continente antártico devido ao seu papel na manutenção global do clima e das formas de vida do planeta.
Envie esta notícia para um amigo
|