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Outubro de 2017 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Modernismo no Brasil - de 1910 a 1950


Embora freqüentemente associado à famosa Semana de Arte Moderna de 1922, o Modernismo no Brasil foi prenunciado pouco antes disso ainda na década de 1910 e durou, aproximadamente até os anos 50. Três de seus principais precursores foram Anita Malfatti, Lazar Segall e Victor Brecheret, advindos de uma formação artística européia por meio da releitura da qual, puderam propor novos padrões estéticos para a arte brasileira, até então, desprovida de um caráter propriamente nacional, causando profundo estranhamento no meio artístico habituado aos academicismos copiados de fora.

Numa segunda fase, com o movimento mais consolidado, que pode ser traçada, grosso modo, entre os anos 1910 e 1920, sim, associa-se a outros nomes como os de Tarsila do Amaral ou Di Cavalcanti. A produção artística do país passa, então, a representar a primeira tentativa sistemática de dar um sentido à arte no Brasil, para além de uma atividade “de salão”, e, conseqüentemente, para além das classes dominantes. Pretende assimilar vanguardas européias como o Impressionismo, o Expressionismo, o Fauvismo, o Dadaísmo, o Surrealismo, o Cubismo e o Futurismo, de maneira a dar a elas a roupagem brasileira de que tanto carecia a nossa produção artística até então, trazendo à tona, toda uma consciência política e social do país. Mesclam-se, nesse sentido, de maneira aleatória, buscando, no resultado final, não se parecer com nenhuma delas.

Não se pode esquecer do recente fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) que terminou por surtir no mundo e, logicamente, em todo o Brasil, mas mais intensamente em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, um surto de industrialização que obrigava a uma transformação do pensamento social, uma vez que a realidade das pessoas passava a ser completamente alterada com o advento de uma série de novas tecnologias voltadas para a produção da época. Além disso, uma nova elite surgiu com a também crescente urbanização das cidades; uma burguesia industrial marginalizada pela política econômica do governo Federal voltada para produção e exportação do café.

É nesse contexto, cuja necessidade de renovação estética de uma produção já desgastada pelos moldes impostos pela arte européia – acadêmica e influenciada pelas tendências francesas da belle époque -, que o movimento intitulado antropofágico se firma da Semana de 1922 em diante, após o escândalo da primeira exposição de Anita Malfatti em dezembro 1917 ou mesmo a de Lazar Segall com suas obras expressionista em 1913.

Fizeram parte da Semana, artistas como Emiliano Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro e John Graz além de Anita e Brecheret. Só num segundo momento é que se evidenciam alguns outros nomes como os de Tarsila do Amaral, Cícero Dias, Ismael Nery e Antonio Gomide, sem que saiam, entretanto, do cenário artístico, os anteriores supracitados e tantos outros.

Isso, sem falarmos nos músicos, escultores, literatos, arquitetos e intelectuais que, durante três dias – entre 13 e 17 de fevereiro – tomaram o Teatro Municipal de São Paulo com “sessões literárias e musicais no auditório além da exposição de artes plásticas no saguão, com obras de Ferrignac, Martins Ribeiro, Paim Vieira , Yan de Almeida Prado e Zina Aíta (pintura e desenho), Hildegardo Leão Velloso e Wilhem Haarberg (escultura). As manifestações causaram impacto e foram muito mal recebidas pela platéia formada pela elite paulista, o que na verdade contribuiria para abrir o debate e a difusão das novas idéias em âmbito nacional”.

Apenas alguns dos célebres nomes que compuseram essa variedade de tendências artísticas foram Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Heitor Villa Lobos, etc.

Estes artistas traziam para outros brasileiros as novidades de Paris, transmitindo novas linguagens vanguardistas. A absorção desta arte presente nos centros europeus une-se à elementos da nacionalidade brasileira, consolidando o projeto modernista. A partir de então, a arte moderna passa a trilhar novos rumos, distanciando-se, no entanto, daqueles estabelecidos na Semana de 22”.

No avançar dos anos 20, dessa forma, a pintura dos modernistas brasileiros vai misturar ao revival das artes egípcia, pré colombiana e vietnamita, elementos do Art Déco”.

Vale ressaltar, portanto, que a Semana projetada pelo poeta Mario de Andrade serviu apenas como marco histórico de um movimento cujo processo de fomentação já vinha de anos antes e durou muito mais do que apenas alguns dias. E que São Paulo, enquanto centro de frenética imigração, principalmente italiana, e ponto de convergência de tantos avanços tecnológicos na época, funcionou como o lugar ideal, propício para “sediar” tal marco.

É por meio de obras como as da paulista Tarsila do Amaral, em sua assimilação de elementos surrealistas – bem como nas de Vicente do Rego Monteiro e Ismael Nery, por exemplo -, que se dá, de maneira mais sólida, a afirmação do caráter local, selvagem, intocado pelo homem “civilizado”, e misterioso (quase místico) do Modernismo brasileiro, características essas que dão a tônica de qual o enfoque esses artistas buscavam, grosso modo, para seus trabalhos, num anseio de revelar a verdadeira face da nação.

Thiago Sogayar Bechara

 


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