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Abril de 2017 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Pós-Modernismo – Arte Pública, Instalações e Tecnologia - De 1990 a 2012

O que é arte no tempo do “Eu também faço”?

Como já prenunciavam as décadas passadas, o fim do século XX e início do XXI seriam profundamente marcados pelos efeitos tecnológicos da Globalização. Adventos como o computador e a crescente facilidade de adquiri-lo, vêm causando transformações na essência de praticamente todos os centros urbanos do mundo – conectados, por sua vez, entre si, por meio desse mesmo advento, além de outros, logicamente, haja vista, telefones celulares, televisão, rádio, fax, dentre outros.

Difícil seria, portanto, pensar que a arte não sofreria decisivas influências dessa unificação global que a tecnologia permite ao homem moderno.

Mais do que uma arte produzida por esses novos meios, o que se passa a verificar com freqüência, são manifestações sintomáticas da vida tipicamente urbana e, portanto, caótica, da estrutura em que a, então chamada, Pós-Modernidade, está inserida.

Exemplo clássico disso é uma manifestação que passou a ser reconhecida como Arte Pública: Ao contrário da proposta de artistas que produzem esculturas ou imagens para serem contempladas em praças e lugares, a priori, propícios para suas colocações – e que, desde já, é bom que não se confunda com aquilo de que estamos tratando - a Arte Pública é feita para os lugares movimentados, caóticos, pobres e desiguais das cidades em que é produzida. Não se compromete, portanto, com a função de causar o prazer estético e visual, mas sim o de incitar as pessoas que ali passam, a refletir sobre suas próprias condições de vida. Sobre a própria estrutura em que eles – obra e público – estão imersos.

O movimento acelerado das máquinas, dos carros, das pessoas; a noção da sociedade enquanto estrutura calçada sobre os pilares do comércio, do capitalismo; a ausência de uma memória comum, característica própria dos centros urbanos que, cada vez mais, se distanciam da experiência tradicional da comunidade, enfim. São todos sintomas sofridos por todos e, denunciados, nesse sentido, para todos, por meio de uma arte completamente democratizada, uma vez que expõe em lugares de grande circulação, a possibilidade analítica desse caos por que o homem passa, sem nem se dar conta, muitas vezes.

É essa barreira que artistas como Maria Bonomi buscam vencer ao longo de suas produções: a de criar obras que, mesmo instaladas em pontos de grande tensão e movimento urbano, tenham em si o potencial de atrair a atenção das pessoas a tal ponto que suscitem em cada um a necessidade de se parar um tempo para pensar no que acontece em suas vidas.

Maria Bonomi nasceu em 1935 na Itália, mas se auto - denomina brasileira por opção. A primeira pessoa que lhe sugeriu seguir carreira como artista plástica, foi, ninguém menos, que Lazar Segall e, hoje, é uma das artistas do nosso tempo mais respeitadas após ter construído uma sólida carreira.

A proposta da Arte Pública também passa pela questão do trabalho coletivo, onde não há mais o artista solitário em seu atelier, mas um conjunto de profissionais como engenheiros, arquitetos, urbanistas, paisagistas, estudantes de arte em formação, etc. para que através desse diálogo multidisciplinar se estabeleça o melhor uso possível da estrutura urbana na intenção de que a obra se adeqüe ao entorno e cumpra sua função de possibilitar o elo do público com a visualidade, servindo ao mesmo tempo como um sólido e permanente referencial e como objeto de formação do olhar na população.

Alguns nomes reconhecidos em toda a década de 1990, sejam eles pertencentes ou não ao movimento de Arte Pública, são, dentre eles: Leda Catunda, Sandra Kogut, Laurita Sales, Iran do Espírito Santo, Rosângela Rennó, Jac Leirner, Hélio Vinci, Aprígio, Ana Amália, Marcos Benjamin Coelho, Cláudio Mubarac, Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Luis Hermano e Alex Cerveny.

Outras tantas inovações estéticas comprovam essa “desconstrução” que vêm sendo efetivada na produção artística contemporânea, unindo arte ao mundo real, cotidiano e rompendo com uma série de pressupostos, o que até hoje ainda causa estranhamento em muitas pessoas, da mesma maneira como chocou o modernismo da Semana de 22 àqueles que viam na arte tipicamente européia, o sentido estético mais plausível para a produção brasileira de até então.

São exemplos dessa inovação, tendências como a das “Instalações” e do chamado “Hibridismo” que propõem um novo modo de apreensão da arte em todos os sentidos. Tanto na compreensão de seu sentido, que passa a ser mais amplo e definido pelo público do que pelo artista propriamente, quanto pela relação física que deixa de ser visual somente, somando-se a isso a possibilidade da interação entre corpo e obra. A utilização do espaço torna-se fundamental uma vez que a obra não está numa sala, por exemplo, mas a obra é a própria sala, claro que com elementos que guiem o entendimento do por que daquilo ser considerado arte, dentro de um contexto.

Até mesmo na questão visual, a alteração da apreensão da obra por parte dos nossos olhos é modificada, uma vez que o fato de ela poder ser feita, por exemplo, num computador, abre espaço para a criação de uma série de novos elementos gráficos que vão ser processados no nosso cérebro de maneira, logicamente diferente, da que era vista até então. Dá-se, nesse sentido, uma mescla do que é a chamada arte tradicional do passado com aquilo que o advento da tecnologia possibilita ao homem Pós-Moderno, produzir hoje. É desse hibridismo que falamos.

No mais, o que se verifica na arte do nosso tempo é basicamente essa possibilidade de desconstrução completa do que fora compreendido como tal em épocas passadas, ainda que não se negue aquilo que foi produzido anteriormente, com o intuito de denunciar os sintomas da vida pós-moderna e propor soluções para isso.

Thiago Sogayar Bechara

ARTE BRASIL SÉCULO XX
 
 
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