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Dezembro de 2018 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Retorno à Arte Figurativa e Pop Art - De 1960 a 1970

 

Do Teatro Municipal para os Museus de Arte Moderna

A passagem dos anos 1950 para os 1960 se caracteriza fundamentalmente por um retorno às figurações do início do século, uma vez que a atenção dos artistas deixa de estar focada nos Abstracionismos dos últimos anos. No entanto, essa nova manifestação da arte figurativa (neofigurações) se dá de modo diferente. Ao contrário do que foi sua forma representativa, a revitalização dessa tendência se deu de maneira alusiva, expressiva, podendo ter caráter fantástico ou grotesco posto que permitia ao artista vincular sentido subjetivo à sua imagem numa abertura de percepções para o mundo urbano e suas contradições cotidianas.

 

A influência da mídia e dos meios de comunicação em geral, tais como a televisão, a publicidade, jornais, fotonovelas e até mesmo revistas em quadrinhos, abrigavam em si um grande potencial de inspiração artística por ser tratar de rica fonte icônica. Além disso, é por meio das mesmas que e o artista toma consciência de seu tempo podendo refletir sobre ele e, conseqüentemente, provocar inquietação com suas obras. Afinal, a grande marca de seu tempo, é justamente esse avanço dos meios de comunicação.

É nesse contexto de reflexões advindas, por exemplo, da vulgaridade e efemeridade dos elementos cotidianos próprios da cultura de massa produzida pela mídia, que chega ao Brasil a tendência mais decisiva no quadro das vertentes representativas da década de 1960: a Pop Art.

Originada na Inglaterra, mas difundida pelos norte-americanos a partir de 1962 – e sem nenhum manifesto próprio - os artistas pop se valiam justamente do recorte dessa variedade de imagens corriqueiras e suburbanas por que as pessoas estão sendo bombardeadas a todo o momento.

Dessa forma, a arte se vincula à realidade não para representá-la, mas como uma possibilidade de comunicação, como instrumento maleável de conhecimento e de intervenção no real, que é sobretudo relação. Serve, portanto, como meio de instigar as pessoas a pensar sobre o mundo em que vivem.

É o apelo da sociedade de consumo sendo transformado em arte por compor uma das principais características sociais da época. E uma arte polêmica, comprometida com temas políticos e morais.

É recorrente da época também a exploração dos aspectos sensoriais da obra de arte, além dos visuais, que tiram do espectador a função meramente contemplativa e o colocam numa posição nunca antes experimentada: a da experiência participativa.

Para tanto, a idéia de convenções e pressupostos técnicos é posta de lado para valorização de uma arte feita com materiais não raras vezes, efêmeros e precários. Suportes tais como o plástico são bons exemplos da diversidade de meios sobre os quais os artistas passaram a debruçar seus processos criativos.

A preocupação modernista com o valor estético, como fim último, e com os valores convencionais, como fim instrumental, estava posta à prova desde Duchamp (legado Dada), e agora, definitivamente, era endossada pelos nascentes artistas pop, para os quais, contrariamente à teoria de Greenberg, as convenções e as questões técnicas não eram aspectos fundamentais de instauração de linguagem.

No entanto, a Pop Art – considerada por muitos como a abertura do mundo contemporâneo – e sua característica “desestetização” da produção artístico-cultural, não foi a única expressão mais recorrente da década de 1960. Vertentes como o já citado Neoconcretismo de Hélio Oiticica, Lygia Pape e Amílcar de Castro, por exemplo, e Neo Surrealismo, com seus vários grupos, dentre eles o “Grupo Austral do Movimento PHASES” conviveram paralelamente com todos os artistas figurativos como Ivan Serpa, Cláudio Tozzi, Waldemar Cordeiro e os próprios Helio Oiticica e Lygia Clark.

São destaques dessa época também: Tomie Ohtake, Manabu Mabe, Arcângelo Ianelli e Maria Bonomi.

Contudo, é curioso observar o movimento inverso que o artista brasileiro fez em relação a seus pares americanos. Nos anos 50, primávamos pela busca da razão, ao passo que eles se debruçavam sobre a emoção, dando primazia ao sujeito na ‘fala’ da linguagem. Nos 60, ao contrário, os norte-americanos, com a Pop Art, tornaram-se neutros, retiraram o sujeito da situação dialógica com os objetos, enquanto o artista brasileiro, mesmo aderindo a certos parâmetros pop, criava o paradoxo de escancarar seu juízo e sua paixão.

Thiago Sogayar Bechara


ARTE BRASIL SÉCULO XX
 
 
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