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Janeiro de 2019 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Modern Times
Artista: Bob Dylan
Gravadora: Sony Bmg



Há quem diga que Bob Dylan é o paralelo norte-americano daquilo que Chico Buarque representa no Brasil. E, se você parar pra pensar, até que faz sentido: os dois compõem letras de teor poético-literário, foram porta-vozes da contracultura em momentos de agitação política (Guerra do Vietnã por lá, Ditadura aqui), são sujeitos de personalidade forte e comportamento reservado, além de ambos se apoiarem no folclore da respectiva nação, fazendo uma espécie de neo-trovadorismo. E, como se não bastasse, tanto um quanto o outro foi subitamente hypado, emergindo das trevas em uma enxurrada de DVD’s, um livro e, para concluir, um recente e muito comentado disco.

No caso de Dylan, ele saiu do ostracismo quando publicou a autobiografia Crônicas, foi homenageado ao protagonizar um documentário dirigido por Martin Scorsese e lançou o álbum Modern Times. Pronto, Bob Dylan virou Pop novamente: voltou a sair em capas de revista, a lotar estádios e a ser escutado tanto pelos mais velhos quanto pelos mais jovens, que o colocaram na prateleira ao lado dos CD’s da Pitty e do Justin Timberlake. De tal forma, que não é sem certa dose de ceticismo que primeiro se escuta Modern Times, ainda mais sob este título tão clichê. Mas, logo que sua voz ecoa na primeira faixa, um alívio: é o mesmo Dylan de sempre.

Novamente ele faz um disco introspectivo, se utilizando de diversos elementos do folk e do blues de raiz norte-americanos, apresentando letras belamente construídas, repletas de figuras de linguagem, que são não apenas cantadas como quase proclamadas em interpretações de profunda sobriedade. Claro que sem o mesmo ímpeto ou inspiração dos primeiros trabalhos, mas ainda causa aturdimento, surpresa e deleite, pelo seu refinado senso estético. Por outro lado, aqui ele dispõe de uma voz mais encorpada e de arranjos mais trabalhados, virtudes que provavelmente insurgiram da maturidade e, claro, da cuidadosa produção de Jack Frost.

Quando o disco começa na faixa Thunder on the Mountain, você acha que é bom. Quando entra When the Deal Goes Down, faixa número quatro, você começa pensar que talvez seja um disco muito bom. Já com Someday Baby, em que você começa a bater o pé involuntariamente ao ouvir os compassos de blues (estilo priorizado em todo o CD), não resta dúvida, é mais um grande trabalho. E ele ainda fecha com estilo, propõe aquele brinde amigo: a canção Ain’t Talking, uma balada soturna, de composição lírica e ao mesmo tempo ríspida, em que uma guitarra básica que dá o tom enquanto um violoncelo de fundo contorna a atmosfera inegavelmente sublime e ele discorre sobre aquela garota que deixou para trás. Então você percebe que o título Modern Times é uma ironia, pois Dylan não só retoma a boa forma dos anos 60, como ainda nos lembra porque é Dylan.

 

Carlos Messias, 24 anos, tradutor e intérprete
São Paulo - capital

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