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Janeiro de 2019 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Einstein, explique, por favor

Autor: Carrière, Jean-Claude
Editora:
Rocco



 

Por ser considerado um dos maiores roteiristas da história do cinema e brilhante dramaturgo, Jean-Claude Carrière não é tão conhecido como romancista. Mas a literatura é a arte à qual ele se dedica há mais tempo, desde 1957, sempre com excelentes resultados, como em tudo o que leva sua assinatura. Em seu mais novo livro, Einstein, explique, por favor, esse francês notável revela mais uma de suas facetas: um profundo conhecimento científico.

O romance é uma viagem ao pensamento do físico alemão Albert Einstein. A história se passa em algum canto indeterminado do espaço-tempo. Não importam data, horário ou localização. A fim de escrever um artigo sobre o cientista, uma jovem estudante dos dias atuais vai ao encontro de um Einstein ainda cinqüentão, apesar de ele ter morrido em 1955. A moça, cujo nome nunca é dito, simplesmente entra por arrombamento no impossível.

A jovem não se deixa intimidar pelo improvável encontro. E embora seu conhecimento de física seja quase nulo, ela consegue fazer com que Einstein responda pacientemente às suas perguntas, discorrendo sobre o conceito de espaço-tempo curvo, a teoria da relatividade, sua responsabilidade na criação das armas nucleares, seu entendimento do que seja Deus. Uma questão leva à outra, até mesmo a algumas que nunca haviam ocorrido ao cientista. E ele segue a responder, mesmo sabendo que o mundo é verdadeiramente inexplicável, prodigiosamente incoerente e fundamentalmente paradoxal, como ele conclui.

Mas Einstein também tem perguntas a fazer à jovem. Qual a vantagem de uma viagem à Lua se se pode chegar lá pelo pensamento? Por que, depois de dois mil anos, a Humanidade continua a ver o mundo pela ótica dos gregos antigos? O Deus criado pelos homens é digno do universo? Pode o pensamento explicar o que ainda não foi pensado? Mais adiante, quando Sir Isaac Newton chega para participar da conversa, Einstein e sua entrevistadora deixam o físico inglês atônito. “Não é mais Deus quem criou o mundo? Criou e organizou?”, Newton pergunta, abismado.

Como escritor, Jean-Claude Carrière se concentra nos diálogos, sem se preocupar com a ambientação da ação ou a descrição dos personagens. “Se, em lugar de um livro – ou de escrever um –, tomássemos conhecimento desses personagens ou desta situação em uma sala de cinema ou diante de uma tela de televisão, ou mesmo numa cena de teatro, não faríamos qualquer pergunta secundária. E isso por uma boa razão: não teríamos tempo. Seríamos levados pelo movimento do filme ou da peça – supondo que este movimento fosse sedutor, arrebatador, no melhor dos casos, irresistível – e isto abafaria em nós qualquer tipo de interrogação sobre as circunstâncias”, explica o mestre.

 

O autor:

Jean-Claude Carrière nasceu em Colombières-sur-Orb, na França, em 1931. Publicou seu primeiro romance em 1957. Em 1961, tornou-se diretor de cinema, mas se celebrizou como roteirista, parceiro dos cineastas Luis Buñuel, Jean-Louis Barrault, Jacques Tati, Peter Brook, Andrzej Wajda, Milos Forman, Louis Malle e Jean-Luc Goddard. Carrière assina os roteiros de grandes filmes, como A bela da tarde (1967), O discreto charme da burguesia (1972), Esse obscuro objeto do desejo (1977) e A insustentável leveza do ser (1988). Em 1962, ganhou um Oscar de melhor curta-metragem. Sua carreira de dramaturgo se iniciou em 1968. Sete anos depois, começou a escrever para televisão.

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