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Janeiro de 2019 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Mar de Sophia e Pirata

Artista: Maria Bethânia
Gravadora: Biscoito Fino



estão nas lojas os dois discos novos da cantora Maria Bethânia dedicados às águas. Mar de Sophia e Pirata saúdam, respectivamente, os mares e rios, elementos sempre presentes na longa carreira de Bethânia devido ao seu contato com cachoeiras, lagos e riachos desde sua infância em Santo Amaro da Purificação, interior da Bahia.

Lançados pela gravadora Biscoito Fino e por um de seus selos, o Quitanda, ambos os projetos são desejos antigos da intérprete que tem nesse elemento da natureza uma das pontes para seus orixás, uma vez que tanto Iansã quanto Oxum possuem, no sincretismo religioso negro, uma relação forte com a água. Não à toa, Bethânia remete seu olhar às memórias afetivas das cantigas de roda de domínio público e à singeleza das modas de viola tão sofisticadamente arranjadas por seu maestro Jaime Além.

Temas decorrentes disso, como discussões sobre o destino de rios como o São Francisco, ou mesmo o reconhecimento cultural do trabalho das bordadeiras, por exemplo, são inevitavelmente tangidos pela consciência da artista.

Os discos são quase inteiros compostos de canções inéditas, feitas sob encomenda para Bethânia por compositores como Ana Carolina, Jorge Vercillo, Vanessa da Mata, Roberto Mendes, dentre outros, o que não a impede de reler clássicos do nosso cancioneiro como a faceira De Papo pro Ar (Joubert de Carvalho e Olegário Mariano) ou mesmo canções de seu irmão Caetano Veloso, como a famosa Marinheiro só.

Cada vez mais, as barreiras que separam o passado do presente estão sendo quebradas por Maria Bethânia que canta com o mesmo respeito que dedica a Dorival Caymmi, um rap feito por Arnaldo Antunes especialmente para a cantora.

Definitivamente, o talento de Bethânia consegue transformar em universal, valores aprendidos ainda criança no meio do mato, ao longo dos passeios com o pai e os irmãos na pequena cidade do recôncavo baiano.

A simplicidade de seu canto se mescla com a riqueza de um timbre raro e à sua inteligência. Só essa química é capaz de transformar em extremamente sofisticado algo que é, por essência, pequeno devido ao regionalismo a que a cantora vem se dedicando desde trabalhos autorais como o disco Brasileirinho (2003) em que traduz por meio de textos e arranjos minimalistas – o oposto do que fez ao longo de quase todos seus 41 anos de carreira – a visão otimista que ainda diz ser necessário termos sobre nossa pátria, sem, no entanto, deixar de considerar as agruras e injustiças por que passa o Brasil desde sua colonização.

Pirata e Mar de Sophia também apresentam trechos declamados. O que os diferencia, nesse sentido, entretanto, e que dá nome ao segundo, é o fato de que ele é permeado de textos da poeta portuguesa Sophia de Mello Breyner a quem Bethânia reverencia por admirar-se da intimidade desta mulher com o mar, uma vez que, segundo sua ótica, trata-se de um elemento masculino, ainda que traga em si a água, que é feminina.

Sempre associado às figuras masculinas como o lobo do mar, o marujo, o marinheiro, os piratas, dentre outros, Bethânia diz ser raro encontrar uma poeta que seja tão próxima dos oceanos.

Pirata se costura de trechos de Guimarães Rosa, já declamados por Bethânia em Brasileirinho, o que exprime o potencial de brasilidade tão reconhecido no escritor e aclamado por Bethânia como um dos melhores.

Os discos estão à venda em todas as lojas do país com um preço médio de R$ 36,00.

             

Thiago Sogayar Bechara
São Paulo - capital

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