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Janeiro de 2019 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Ensaio sobre a cegueira

Autor: Saramago, José
Editora:
Companhia das Letras



 

Cegueira Branca

Para quem já conhece e gosta de José Saramago, não é novidade se emocionar com suas obras, pois elas tocam o que há de mais profundo no ser humano, deixam visível seu lado mais animal. Ensaio sobre a cegueira funciona como um laboratório em que o autor testa os limites humanos por meio de situações extremas.

Logo no começo um homem fica cego enquanto espera o sinal abrir no trânsito, com o tempo a cidade toda vai ficando cega e as autoridades (que também são acometidas pela chamada cegueira branca) ficam desnorteadas com a situação.

O número crescente de pessoas que vão se contaminando e o tempo que vai passando provocam situações que deixam o homem cada vez mais próximo do animal: não há como tomar banho, são obrigados a conviver com fezes, lutar pela sobrevivência diariamente, perdem contato com conhecidos e familiares, dentre muitas outras coisas. Apenas uma pessoa – a mulher do médico – não é atingida pela doença e se torna os olhos do leitor e dos outros personagens com os quais convive.

Para tentar controlar e entender o que se passa, o governo resolve prender em um sanatório as pessoas que já estão contaminadas e as que estiveram em contato com elas, fornecem uma quantidade mínima de alimentos e não há remédios. Como as pessoas não podem ver e não há condições mínimas de sobrevivência o lugar vai se tornando inabitável, as doenças vão se alastrando, até que a situação se torna insustentável e o grupo chega às ruas.

Perdidos, sem saber como voltar para casa, começam a perambular pela cidade em busca de comida, todo o tipo de comércio é saqueado e as pessoas se dividem em grupos que vão mudando de casa conforme a necessidade. Não há mais fornecimento de energia elétrica, não há quem cuide do tratamento e fornecimento de água, todos lutam da melhor maneira possível.

Além de toda a situação de caos, Saramago utiliza uma linguagem própria que não segue as normas gramaticais. Apesar de não haver muitas vírgulas, pontos finais e de interrogação é possível entender claramente o que ele quer passar e saber qual personagem diz o quê nos diálogos.

Ensaio sobre a cegueira é um livro para ser lido com calma, apreciado; o leitor precisa dedicar todo o seu tempo e espírito para sentir a obra, diferente do que costuma acontecer em tempos tão corridos como os atuais em que as pessoas fazem mil coisas ao mesmo tempo.

A cegueira branca remete a isso também, vivemos a era do excesso. Excesso de cores, de informação, de movimentação, de imagens, que assim como a luz quando existe em demasia provocam a cegueira. Dessa maneira, não é possível absorver e aproveitar tudo que a vida oferece de maneira satisfatória.

O ensaio de Saramago além de deixar marcas profundas nos personagens que compõem a narrativa, marca os leitores que conseguem se ver projetados em situações tão degradantes e constrangedoras quanto as que ele constrói. 

Bruna Gomes da Silva, 20 anos,4º semestre jornalismo/Mackenzie - São Paulo - capital

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