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Dezembro de 2018 - Nº 22    ISSN 1982-7733
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Pare, olhe e escute


Carolina Piazza da Silva

14 anos

São Paulo - capital

 

A repercussão das vozes dos brasileiros no 15 de março

No dia 15 de março de 2015, milhões de pessoas reuniram-se por todo o Brasil clamando por atenção da mídia e população com um propósito comum: a conquista de uma nação livre.


Às ruas foram crianças, jovens, mulheres, e homens de todas as etnias, religiões e classes sociais. Por um momento, em meio a um calor de ideias e revelações, tais aspectos são ignorados e, por um momento o Brasil é unido como um, para lutar como um. Em meio aos milhões, viu-se a bandeira do Brasil, refletindo então não o dito patriotismo e nacionalismo orgulhoso, mas como um símbolo de protesto e revolta. Viu-se as cores amarela, verde e azul estampadas nas roupas e caras, expressando não a riqueza de um país mas sim a falta desta, através do que foi roubado do povo. O hino nacional foi cantado não só com orgulho, mas também, como um clamor à nação, como um lembrete dos principais valores que a compõe, valores que parecem ter sido esquecidos.


E em um canto da praça, esquecida como indivíduo numa multidão de um milhão de pessoas, uma mulher tinha estampado em sua barriga de, quem sabe, seis meses de gravidez, um coração verde, símbolo do futuro próspero que deseja a seu filho, e do seu desejo de que este tenha a chance de viver em um país livre e justo. Ao lado dela, uma mulher erguendo nada mais que uma folha sulfite verde, ao alto, como se não houvesse nada mais a ser dito que a cor não transmitisse. E do outro lado, em cima dos ombros de seu pai, uma criança com a camiseta da seleção brasileira cantando o hino e os sentimentos e virtudes que sonha para si. Infelizmente, os jornais não vêm a mencionar esses três cidadãos brasileiros que partiram às ruas naquele domingo para gritar seus ideais, mas isso não significa que não estavam presentes. Afinal, são estas pessoas trabalhadoras que decidiram exercer sua cidadania juntando-se ao movimento Brasil Livre, que fazem a diferença no final.


Assim dito, a função dos políticos com relação às atuais manifestações comporta a questão: o que fazer e o que pensar os governantes quanto à tão grande insatisfação demonstrada por parte daqueles governados? Encontramos então o problema que por hoje lutamos tanto: saímos às ruas, expressamos nossa indignação, esclarecemos nossas reivindicações e nada parece adiantar enquanto aqueles que escolhemos como nossos representantes decidem fechar seus olhos à nossas vontades. A função dos políticos nesse momento é ouvir-nos, ouvir o que temos a dizer e representar nossos dizeres, colocando-os em prática.


Representar-nos é a última ideia a rondar a esses políticos, em vez disso, decidem abafar a repercussão das palavras hoje ditas e as ideias hoje expressas com o único fundamento de iludir os habitantes desse país com uma imagem de conforto e estabilidade. Mas mo dia 15 de março, por um dia, mas não um dia somente a população reivindicou mais, os habitantes deste país pediram àqueles que cegamente aceitam a ilusão que lhes é imposta, que abram seus olhos e que, por um minuto parem, olhem e escutem.


Pare. Pare de tentar convencer-se de um final feliz; pare de aceitar o que lhe é dito sem questionar; pare de prender-se a uma ideia sem aceitar refutá-la. Pare o que quer que esteja fazendo e olhe.


Olhe para as ruas, praças e prédios; olhe o movimento que uma ideia proporcionou; olhe a mobilização, a repercussão, a insatisfação de um povo unido como um só; olhe a diversidade e a quantidade lutando por um mesmo propósito; olhe para sua TV, jornal, as ruas de sua cidade e escute.


Escute o que eles têm a dizer; escute porque milhões estão tão insatisfeitos; escute nossas opiniões e nossas sugestões; escute por que lutamos; escute nossas palavras com atenção e as considere. Considere a possibilidade de estarmos certos, de nossas reivindicações serem ao mínimo justas, considere apenas por um momento, juntar-se a nós.


Cegos, uns esquecem. Esquecem-se de parar, olhar, escutar, e principalmente, de considerar e refletir. Esquecem da corrupção que ronda este país, esquecem dos altos impostos que pagamos para acabarem nos bolsos de nossos governantes, esquecem das péssimas condições em que vivemos, estudamos e trabalhamos, e esquecem disso tudo porque conformam-se, porque pensam que o jeito em que as coisas se encontram é o melhor que podemos alcançar, que as coisas são como são por não ter como melhorar. Pois estes que se conformam enganam-se, o objetivo de um governo nos representando é para tornar melhor a condição da nossa existência, é sempre ir além para fazer com que nunca nos conformemos e sempre almejemos mais. É então que encontramos o erro de nosso governo, que ao representar-nos, escolhem cegar-nos, escolhem beneficiar-se a beneficiar-nos.


É justo então que uma pessoa ou um grupo de pessoas leve o dinheiro do povo, o nosso dinheiro, o seu dinheiro? É justo que paguemos tão altos impostos por educação e saúde e nem a estas tenhamos acesso? É justo que trabalhemos tanto por recompensa nenhuma? É justo que enquanto nosso país decai aos poucos e leva consigo o povo fiquemos apenas parados a assistir? Em resposta a isso é que temos as manifestações do dia 15, para dizer “Não” a tudo que tão duramente nos é imposto.


Não fosse suficiente tão grande parcela de brasileiros lutando por este ideal, encontramos pelo mundo apoio de brasileiros. O mundo inteiro volta os olhos hoje ao Brasil, o mundo hoje para, olha e escuta o que esse povo descontente tem a dizer. Estados Unidos, Inglaterra, Bélgica, Austrália e Portugal são alguns dos países que nos últimos dias mostraram seu apoio às nossas propostas de um governo justo.


Brasil, país que se diz tão democrático, tão respeitoso à liberdade de expressão hoje fecha os olhos para a maior expressão de todas: a de insatisfação.


O povo brasileiro, “protagonista destas manifestações” como diz Aécio Neves, está cansado, e escolheu o dia 15 de março para expor suas inquietações a quem quer que deseje ouvir, e para chamar a atenção daqueles que se recusam a ouvir. Não se trata de uma manifestação por parte de uma “elite branca de barriga cheia”, como diz o jornalista Juca Kfouri, mas sim de uma rebelação por parte da população brasileira em geral, indiferentemente de sua classe, para com seu atual governo. É uma greve organizada por um povo insatisfeito, um povo que sonha grande e que destes sonhos recusam-se a desistir.


Chegamos ao limite. Tal limite em que nosso ex-presidente fragiliza o direito de liberdade dos cidadãos ao ameaçar o uso de exército, em que nas manifestações a favor do Partido Trabalhista usam-se montagens para simular maior comparecimento, ponto em que milhares de corruptos saem impunes de seus crimes em casos tão extremos como o Mensalão ou o Lava-Jato. Será este o fim de nossa caminhada a um futuro melhor? Pois lhes digo, se assim permitirmos, assim será. E é então que cabe a nós, cidadãos brasileiros, exercer essa cidadania que nos é dada e lutar pelos nossos valores, ideias e objetivos; lutar pela nação que é nossa por direito: uma nação livre, caminhando sempre para um futuro melhor.

 

   

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